06.21.10
Lula e Dunga - Diferenças que se contam nos dedos
Preciso dizer que sou destoante da maioria numa coisa: Eu aprecio muito o trabalho do Dunga à frente da seleção. Para resumir, eu acho a fórmula para vencer a copa do mundo (se é que existe uma), definitivamente passa longe de amontoar estrelas. O extra-campo conta muito. Neymar é um crianção, não teria a menor maturidade emocional para disputar a copa. Prova disso, é que depois de não ser chamado entrou em crise. Ronaldinho é um baladeiro inveterado, que se soma 5 em campo, subtrai 10 fora dele, pela desestabilização que isso causa à rotina. Ganso, okay, esse dava para chamar.
Mas o que me irrita mesmo no Dunga, é a relação dele com a imprensa. A primeira vez que ele deu uma resposta atravessada a um jornalista, achei engraçado. Sabe como é, a gente sempre gosta de ver alguém com personalidade forte, defendendo seus pontos. Com as repetidas reincidências, a coisa foi ficando grave. E agora, ao se perceber um método, fica realmente preocupante. O tal método, alias, não é muito diferente daqueles que estão hoje no poder em nosso paÃs. Concordo com o Dunga na sua forma de levar a seleção, discordo do Lula em sua forma de levar o paÃs, mas nesse particular, são iguaizinhos.
Quem critica, é inimigo. Na cabeça de ambos, existe um projeto nacional em curso, que será julgado pelo seu resultado final. Esse projeto é necessariamente virtuoso, e uma vez estabelecido, você está ou com ele, ou contra ele. Apoiados numa falácia fundamental, não se pode estar com ele, e ao mesmo tempo, discordar dele. A obrigação do jornalista, na visão de ambos, é ajudá-los em sua missão do seu jeito, nos seus termos. É imbuir-se de um nacionalismo cego, cantar as glórias do paÃs, e pra frente Brasil. Nem cabe aqui discutir se estão certos ou errados nos seus projetos, em si. Nenhum dos dois serve para um regime democrático.
A minha birra com o Dunga pára por aÃ. De fato, devido ao escopo limitado do treinador da seleção, os danos ou prêmios de sua atuação dificilmente sairão da esfera do futebol. Já com Lula, a história é diferente. E bem mais preocupante.
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